Como doi estar de luto por nós mesmos. Enterrar a sete palmos horas, dias e meses que pensávamos que apenas haviam passado, mas que na verdade morreram sem sequer direito a velório. E que não morreram de morte morrida, aquela que o tempo quem leva, mas de morte matada. Matada por alguém que sorria conosco e que prometia guardar na eternidade da lembrança momentos que pareciam ser o início daquilo que fez parte da construção de nossas vidas. Como se o hoje não dependesse do ontem, como se houvesse telhado sem parede e parede sem chão, buraco sem bordas daqueles que a gente cai. E não sai.
Que as orações aos deuses sirvam de inspiração para que, lá na entrada do paraíso, tanta violência gratuita seja perdoada. E que aqui, na terra, as lágrimas sirvam para aguar as flores que a gente ainda quer ver brotar e arrancar cada uma das pétalas torcendo pra que, no final, só nos reste o bem-me-quer.




